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Segurança

Hialuronidase: o que a ciência diz sobre desfazer o preenchimento

Equipe World Clínica · 7 nov 2026 · 6 min

A hialuronidase é a enzima que dissolve o ácido hialurônico. Estudos recentes mostram que a velocidade depende do tipo de gel, que o tempo pesa nas intercorrências e que desfazer é só metade do plano.

Uma das frases mais repetidas sobre o preenchimento com ácido hialurônico é que ele “pode ser desfeito”. É verdade, e o nome por trás disso é a hialuronidase, uma enzima que quebra as cadeias de ácido hialurônico. Mas “reversível” não quer dizer “apaga e volta ao zero em minutos”. Este guia reúne o que estudos publicados em 2024, 2025 e 2026 mostram sobre como a enzima age, o que muda de um gel para outro e o que perguntar antes de dissolver.

Como a enzima age

O ácido hialurônico injetável é um gel reticulado: as cadeias são ligadas entre si para durar mais no tecido. A hialuronidase corta essas cadeias e o gel perde a estrutura, sendo absorvido pelo organismo. O consenso latino-americano publicado na Surgical & Cosmetic Dermatology descreve esse mecanismo e lembra que, aplicada sob a pele, a barreira que a enzima abre no tecido leva de 24 a 48 horas para se refazer.

Em 2026, um estudo físico-químico comparou formas de degradar o mesmo gel reticulado colocado em pele suína fora do corpo. Com a hialuronidase, 58,2% do ácido hialurônico já estava solúvel no primeiro dia, chegando a cerca de 88% no segundo. Entre os métodos com energia, só o laser Nd:YAG 1064 nm chegou perto (57,3%); ultrassom microfocado e outros lasers liberaram entre 3,2% e 5,3%. Os autores concluem que a enzima segue como referência. É um modelo de laboratório, não um paciente, mas ajuda a entender por que a dissolução costuma ser avaliada em dias, não em minutos.

Nem todo gel se desfaz igual

Um estudo publicado no Aesthetic Surgery Journal testou em laboratório 16 preenchedores comercializados nos Estados Unidos, de seis tecnologias de fabricação, aplicando doses repetidas de enzima até o gel perder firmeza. A conclusão: a tecnologia de fabricação foi o fator que mais influenciou a reversibilidade, mais do que a concentração de ácido hialurônico ou o tamanho das cadeias analisados isoladamente. Alguns géis precisaram de bem mais enzima e tempo do que outros.

Vale saber de onde veio o dado: a pesquisa foi conduzida pelo setor de pesquisa de um fabricante de preenchedores, em parceria com outra empresa do setor, como a própria Teoxane informa. Isso não invalida o método, mas é um motivo a mais para não transformar o resultado em ranking de marca. A lição prática é outra: saber qual produto foi aplicado muda o planejamento de uma eventual dissolução.

Uma revisão publicada em 2026 no Brazilian Journal of Health Review chega a um ponto parecido: a eficácia da enzima depende do tipo de reticulação do gel, da concentração usada, do tempo entre a intercorrência e a aplicação e da via de administração.

Quando ela é usada

Segundo o consenso latino-americano, a hialuronidase tem uso conhecido em situações como excesso ou deslocamento do preenchimento, nódulos, efeito Tyndall (um tom azulado quando o gel fica muito superficial) e, principalmente, na oclusão vascular, quando o gel compromete a circulação de uma área.

A oclusão é rara. A diretriz do ACE Group sobre o uso de hialuronidase cita uma estimativa de necrose iminente em torno de 0,001% (1 em 100 mil casos). Quando acontece, o tempo pesa: a orientação é aplicar a enzima o quanto antes, de preferência nas primeiras 4 horas, com reavaliação e repetição se necessário. É por isso que importa ser atendido por quem tem a enzima disponível e sabe reconhecer os sinais: dor, mudança de cor da pele e alteração no enchimento capilar.

A enzima danifica a pele?

É uma dúvida comum. Em 2026, um estudo no Journal of Cosmetic Dermatology aplicou ácido hialurônico e hialuronidase na pele de ratos e observou que a enzima degradou o gel injetado sem alterações significativas na estrutura da pele, na matriz da derme ou na função dos fibroblastos (as células que produzem colágeno). Os próprios autores listam as limitações: modelo animal, amostra pequena, só 4 semanas de observação e uso de ácido hialurônico não reticulado, diferente dos preenchedores usados em consultório. O resultado é tranquilizador, mas não encerra a questão.

Desfazer é metade do plano

Quem dissolve um preenchimento antigo às vezes percebe a área mais vazia do que esperava, porque o envelhecimento continuou enquanto o gel estava lá. Um estudo preliminar publicado em 2026 na Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology acompanhou 12 pacientes com excesso de preenchimento no rosto que fizeram hialuronidase e, depois, um bioestimulador de policaprolactona. Houve melhora na escala estética global aos 6 meses e nenhum evento adverso relatado. São poucos pacientes, sem grupo de comparação, então o dado serve como sinal, não como regra. O ponto é que a avaliação deve pensar no depois: esperar a acomodação, reavaliar e decidir se é caso de bioestimulador de colágeno, novo preenchimento mais discreto ou nada.

Origem do produto também conta

O consenso latino-americano registra que a maioria dos países da região não tem hialuronidase com aprovação regulatória específica para esse uso e que, no Brasil, a enzima costuma vir de farmácias de manipulação. Ou seja: o uso para dissolver preenchimento é fora da indicação de bula, e por isso a indicação, a procedência e o registro do que foi aplicado precisam ser conversados com clareza. A Anvisa lembra que injetáveis estéticos precisam ser regularizados como medicamento ou produto para saúde, nunca como cosmético, e que a regularidade pode ser consultada no portal da Agência.

Se você está pensando em preencher pela primeira vez, veja também quanto se usa no preenchimento labial e o que a ciência diz sobre a rinomodelação.

Perguntas para fazer na sua avaliação

  1. Qual produto foi aplicado antes (marca, lote, data) e o que isso muda na dissolução.
  2. É caso de dissolver tudo, só uma parte ou apenas acompanhar.
  3. Quanto tempo esperar para reavaliar o resultado depois da enzima.
  4. Qual é a origem da hialuronidase usada e quais reações podem acontecer.
  5. O que fazer depois: repor volume, bioestimular ou deixar a área descansar.

Fontes

Não gostou do preenchimento? Existe um caminho seguro para recomeçar

Se o seu preenchimento ficou marcado, migrou, deixou a área pesada ou simplesmente não combina mais com o seu rosto, você não precisa conviver com isso. O primeiro passo é uma avaliação calma: entender o que foi aplicado, onde está o gel e se faz sentido dissolver tudo, só uma parte ou apenas acompanhar. Na World Clínica, a avaliação de hialuronidase já pensa no depois, para que o seu rosto volte a parecer leve e natural, do seu jeito.

Atendemos na unidade São Paulo, Paulista, na Praça Osvaldo Cruz, 124, no Paraíso, perto da Av. Paulista, e na unidade Santos, na Av. Senador Feijó, 686.

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